terça-feira, 19 de maio de 2015

é tudo sobre saudade.

É sempre a mesma coisa.
Quando não entendo o que as pessoas falam
saudade
Quando entendo o que as pessoas falam
saudade
Quando saio na certeza de não encontrar nenhum conhecido na rua
saudade
Quando leio um livro, quando eu vou pro bar
saudade
Quando chove, quando faz sol, quando faz sol com frio, quando o dia tá cinza
saudade saudade saudade saudade
Quando choro de rir
saudade
Quando vejo pessoas parecidas com pessoas que eu amo
saudade
Quando comento fotos, quando saio pedalar, quando pego o metrô, quando assisto séries, quando danço.
saudade
Quando me entedio, quando cozinho, quando vou ao mercado. Quando tomo banho, pinto o cabelo, calço o tênis. Quando acordo, quando não durmo, quando escrevo, quando escrevo textos ruins, quando desenho alguma foto, quando não sei conjugar um verbo, quando não consigo mensurar o que eu sinto.
saudade
Quando vejo cachorros na rua, quando separo o lixo, quando canto a música mais brega que consigo lembrar.
saudade
Quando rio da sonoridade das palavras ou quando algum feriado não faz sentido
saudade

Quando me dou conta que me sinto em casa.

É sempre a mesma sensação de pertencer a esse lugar mas não exatamente.
É sempre a mesma coisa.
É tudo sobre Heimweh.



sexta-feira, 6 de março de 2015

Pílulas brilhantes para aproximação intercontinental



Não confunda com lantejoulas ou confetes. 
Em cidades cinzas pílulas brilhantes são recomendadas  para alongar corações frouxos. 
Recomenda-se contato alheio para melhor funcionamento das mesmas.



Semy Monastier apresenta uma performance que te convida a juntar-se a ela e dançar toda a purpurina do seu corpo. 
Domingo, 8 de Março a partir das 19h dentro das festividades de 3 anos da Casa Selvática 
ENTRADA FRANCA! 



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

"Exilados são pessoas desenraizadas que buscam desenraizar tudo à sua volta  para criar raízes. Fazem isso espontaneamente. O mesmo processo ocorre com os vegetais, o que pode ser observado quando se replanta uma árvore. Ocasionalmente, o exilado terá consciência do lado vegetal/vegetativo do seu exílio. Talvez ele descubra que o ser humano não é uma árvore. E que a dignidade humana consiste precisamente em não ter raízes. Que o ser torna-se humano somente quando arranca as raízes de vegetal que o prendem à terra. Existe uma palavra negativa em alemão: Luftmensch (literalmente, pessoa aérea). O exilado talvez descubra que ar e espírito são conceitos muito próximos e que Luftmensch talvez signifique pura e simplesmente humano."



*trecho do ensaio "Exílio e criatividade" retirado de "The Freedom of  the migrant", de Vislém Flusser.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Renata


Criminal Queer - Partidas, histórias, elas não são para amanhã. E as vozes, da onde quer que elas venham, não há vida nelas.

LS - Há apenas eu, eu que não sou, ali onde estou. E só. Palavras, ele diz que sabe que são palavras.



Evoé. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Distância (parte 2)

as vezes eu sinto como se estivesse desaparecendo.
tudo é mais intenso quando há um oceano de distância.
mas agora, aqui, isso, esse lugar, é o que eu devo chamar de casa.
o silêncio é uma constante.
eu tento manter o controle.
eu tento manter o contole.
o silêncio.
as vezes eu sinto como se estivesse desaparecendo.
e lembro de quantas vezes eu disse, rindo, que era do mundo.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Distância (parte 1)

Eu lembro bem do meu primeiro dia.
Lembro do frio, da chuva, do cansaço, da distancia e das adversidades.
Lembro de não ter amigos (mas você tem amigos)
e da dependência que a gente cria de quem está ao nosso redor.
Lembro das economias e das compensações pela mesma.

Eu sei que alguns dias serão tranquilos e outros nem tanto, hoje, essa noite, está difícil.

É o amor que faz o mundo girar, mas que também nos deixa tonta. É entender que somos infinitos mas que a distancia não é, e nunca será! É pensar que chorar ajuda na criatividade e lembrar que estamos onde precisamos estar.

É te agradecer te conhecer por 6  anos e parecer 20, por ter compartilhado o que eu nem compartilhei, pela infância na Daniela, pelas baladas góticas, pelos vinhos no Largo, pelo Gumy, pelos beijos, pelas cocotas, pelas bandas que nos fazem chorar nas mesmas músicas.
Agradecer pelo que ainda não vivemos mas seremos felizes pelas mesmas razões, pelas tardes cinzas em Londres, pelos passeios de barco em Amsterdam, pelo Zoo de Berlin, por viajar e ter novas memórias.  E principalmente, pelos trabalhos artísticos que ainda dividiremos.

Um beijo pro desapego e pra saudades e tudo será belo.

Amor.